Resenha: A Visita Cuel do Tempo

"Eu estou sempre feliz. É que às vezes eu esqueço."

Resenha:
Sabe aqueles livros que você termina de ler e não sabe muito bem o que pensar sobre ele? Normalmente, isso não acontece comigo, pois termino e já sei o que achei. No entanto, depois que pensei um pouco sobre a história, A Visita Cruel do Tempo foi um livro diferente e ao mesmo tempo bem escrito, sem dúvidas até aí. Mas foi uma leitura normal; apesar dos vários artifícios textuais e narrativos que são empregados, o enredo do livro é confuso, em parte por ele não ser cronológico, e em parte porque há muitos, muitos, muitos personagens, tanto que cheguei a um ponto que tive que parar a leitura para lembrar quem fez o quê e não ter certeza se aquilo aconteceu com o personagem A ou B.

Li em uma resenha que esse livro mais parecia um curso sobre escrita criativa, pois cada capítulo é contado de uma maneira diferente: primeira, segunda, terceira pessoa, em forma de gráficos, etc.
Enquanto isso foi interessantíssimo e completamente inovador — pelo menos para mim —, o enredo foi o ponto fraco: a princípio achei que todos aqueles personagens, de alguma forma, estavam relacionados entre si, mas o que aconteceu foi um monte de histórias em épocas diferentes e era como se cada capítulo fosse a peça de um quebra cabeça que eu tivesse tentando montar durante a leitura, mas o resultado não foi o que eu esperava — nem me agradou.

A história é focada em Sasha, uma cleptomaníaca que trabalhava como secretária para um famoso produtor musical, Bennie, outro personagem principal, que colocava pó de ouro no café. E outros dez personagens...

Um dos blurbs do livro (The Chicago Tribune) diz que as personagens de Jennifer Egan são irritantemente humanas, e não há expressão melhor para defini-las. Egan escreveu um livro que foi o mais próximo da realidade que já li: nada de grandioso acontece, nada de melodramático, nenhuma reviravolta de tirar o fôlego. São apenas pessoas comuns que cometem erros e às vezes fazem as escolhas certas e simplesmente vivem — no sentido mais literal da palavra. Como o próprio título diz, o tempo é cruel e esse livro mostra exatamente o que o tempo faz com as pessoas. "É essa a realidade, não é? Vinte anos depois, a sua beleza já foi para o lixo, especialmente quando arrancaram fora metade das suas entranhas. O tempo é cruel, não é? Não é assim que se diz?"

Acho que foi por isso que o enredo não me agradou e deixou a leitura com um ritmo lento. Querendo ou não, eu sempre espero algo de grandioso dos livros, alguma reviravolta, algo que capture meu interesse — mesmo sabendo que a vida nem sempre é assim... Dei 3.5 estrelas pela estrutura diferenciada do livro e pela habilidade de Egan em criar personagens que, mesmo efêmeros na narrativa, foram bem construídos. O único problema foi o enredo, que ao tentar cobrir vários personagens, perdeu um pouco o foco. (Informação não útil: ao contrário da maioria, gostei da capa. Ela capturou bem a essência da história. A Intrínseca fez um ótimo trabalho com o livro!)

3.5/5
Skoob: adicione.
Compre: {Fnac} {Saraiva}

10 comentários:

  1. Achei esse livro meio complexo demais para mim
    Acho que ficaria cansada e perdida lendo ele
    Mas gostei bastante da resenha ;)

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com

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  2. Já te disse que li o primeiro capítulo, não?
    Mas não consegui sentir "aquilo" com o livro, então deixei pra lá e acabei nem pedindo o livro pra análise na Editora.
    Ainda sabendo o que você achou, não consigo pensar no que eu pensaria sobre o livro.
    Mas acredito que não faça meu estilo =/
    Beijão!

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  3. Tenho boas expectativas sobre o livro. Espero poder conferir em breve! ;)

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  4. Que pena que você não gostou tanto desse livro, ele me parece interessante, acho que vou ter que ler pra saber. Ótima resenha!

    Beijos, Bi :)

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  5. Oi Gil!
    Que pena que o livro não agradou tanto a vc )':
    é ruim quando isso acontece né?
    E vejo que vc gostou da capa. Apesar de eu n ter lido o livro eu n gostei n, achei bem confusa e nonsense hehehe
    bjs,
    tudo por um livro.

    ResponderExcluir
  6. Oi Gil!
    Que pena que o livro não agradou tanto a vc )':
    é ruim quando isso acontece né?
    E vejo que vc gostou da capa. Apesar de eu n ter lido o livro eu n gostei n, achei bem confusa e nonsense hehehe
    bjs,
    tudo por um livro.

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  7. Não tenho a mínima de vontade de ler esse livro, simples assim. A capa não me inspira e nem a sinopse! hehehe

    Beijos
    Will
    Vício de Cultura

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  8. A capa de um livro pode nos atrair ou nos mandar pra bem longe dele. Essa capa não conquistou minha atenção, ela é estranha, meio deprimente, sei lá.
    A resenhas que eu tenho lido por ai também não são muito animadora e a sua só veio colaborar com a minha ideia de não ler esse livro. Talvez um dia, quem sabe.

    Beijos, Caline
    Mundo de Papel

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  9. Que linda resenha,
    quero ler, adoro um bom livro.
    beijos

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  10. Eu sou meio temerosa quanto a livros muito elogiados pela crítica e que ganham prêmios tipo Pulitzer. Não tenho preconceito literário (preconceito literário é coisa de gente má que ri de quem lê YA :/), mas conheço meus gostos e sei que eles não são muito semelhantes aos dessa gente importante que dá prêmios e faz crítica ~séria~.
    Mas esse é um caso especial. Quer dizer, a crítica amou. Você, que gosta de muita coisa que eu também gosto, não gostou muito. Mas mesmo assim esse livro me interessou muito e preciso ver como é que é.
    Acho essa capa estranhamente boa, sei lá. É esquisita, mas tem vezes em que quanto mais esquisito, mais legal é.

    Beijo!

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